unicornio

Os unicórnios existem?

O unicórnio, do latim unus, “um” e cornus, “chifre”, é um animal legendário, uma espécie de cavalo (geralmente branco) com um único chifre em espiral na testa. Simboliza a pureza (em todos os aspectos) e a força.

Os unicórnios não são encontrados na mitologia grega, mas há menções a um animal de um chifre em várias culturas antigas. Inclusive diz-se que o animal nomeado na Bíblia por re’em () seria o unicórnio (e assim é traduzido em algumas versões), aparecendo sempre como um símbolo de “força” (vide Jó 39:9-12; Salmos 29:6; Números 24:8). Contudo, é mais provável que as referências bíblicas sejam ao auroque (Bos primigenius), uma espécie de boi extinta.

Já na tradição medieval, acreditava-se que o chifre do unicórnio (chamado “alicórnio”) seria capaz de neutralizar venenos e proteger contra doenças. Por isso havia a “caça aos unicórnios”, e para isso dizia-se necessário o uso de jovens donzelas, únicas capazes de amansar os animais, tornando-os presas fáceis aos caçadores.

Normalmente ele não convive com o Homem, mas submete-se sem problemas diante de uma mulher, especialmente se ela for virgem, chegando a refugiar-se no seu colo, quando então pode ser facilmente capturado. Criptozoologistas – especialistas que investigam relatos da aparição de animais normalmente pertencentes ao universo das lendas e dos mitos – registam o aparecimento de unicórnios pelas várias regiões do Planeta, particularmente na Índia, sua terra natal.

A temática dos unicórnios está incessantemente presente na arte durante o período medieval e também na era renascentista. É difícil atribuir a estas criaturas um sentido definido e único. O nascimento deste mito é impreciso, nenhum estudioso alcançou ainda a dimensão de sua origem. Ele é encontrado nas bandeiras dos imperadores da China, na descrição biográfica de Confúcio; na esfera ocidental o unicórnio integra as compilações de seres fantásticos colectados na época de Alexandre, e também as bibliotecas e produções artísticas do Helenismo.

Em um livro grego intitulado Physiologus, pertencente ao século V d.C., esta criatura pura é associada explicitamente ao evento supostamente milagroso da Encarnação de Deus através do ventre imaculado de Maria. Já nesta época, portanto, ele era directamente ligado à virgindade da mãe de Jesus.

Figurações leigas do unicórnio podem ser vistas em tapeçarias encontradas no Norte da Europa e em caixas fabricadas com madeira e ricamente adornadas – os cassoni -, que integravam o enxoval das noivas italianas nos séculos XV e XVI.

Esta imagem também é encontrada na heráldica – arte de descrever brasões de armas ou escudos -, por exemplo, no brasão d’armas do Canadá, da Escócia e do Reino Unido. Na Astronomia ele corresponde à constelação conhecida como Monoceros. O unicórnio também é constante frequentador das páginas da literatura fantástica, especialmente nos livros de Lewis Carroll, C.S. Lewis e Peter Beagle. Já estava presente, porém, na obra renascentista de Voltaire, A Princesa da Babilónia.

Recentemente apareceu um vídeo que mostra um unicórnios à solta num espaço verde em Toronto. Se é ou não verdadeira a imagem, não se sabe. Mas há sempre a esperança de que este animal fabuloso seja real e que possamos acreditar na fantasia, de vez em quando, tornando a nossa realidade mais fantástica.

unicornio

O unicórnio já foi descrito de diferentes formas, por exemplo, como um cavalo branco, com barbicha, patas de veado e cauda de javali ou leão, com um chifre na testa.

Definitivamente, trata-se de uma criatura que faz parte de uma lenda que é bastante atractiva, tanto pela sua beleza como pela raridade. Com efeito, já foi objecto de inúmeros desenhos e pinturas, uma das quais é a Dama e o Unicórnio, titulo de uma série de tapeçarias feitas em finais do século XV e considerado como um dos grandes trabalhos de arte medieval da Europa e descoberta em 1841.

Um Comentário

  1. chico
    Set 17th

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