Os cavalos mergulhadores de Atlantic City

Os cavalos mergulhadores de Atlantic City

Durante muitos anos foi o espectáculo principal no Steel Pier de Atlantic City. O cavalo e seu cavaleiro subiam num trampolim de até 20 metros e saltavam no vazio lá de cima. O resultado era uma mergulho espectacular mas que por vezes terminava em graves lesões para ambos.

O criador da atracção foi o empresário William “Doc” Carver, um dos melhores atiradores de precisão do mundo, cuja vida era uma constante aventura. Carver teve a idéia quando cruzava uma ponte sobre o rio Platte no Nebraska, e ele e seu cavalo caíram à água.

Começou a explorar a ideia em 1880 e os primeiros saltos foram realizados por Carver e sua própria filha Lorena; logo vários outros cavaleiros se juntariam ao grupo. O show tornou-se uma fixação permanente em Atlantic City, que antes da Disneylândia, era o pátio de diversão da América.

Cada saltador tinha seu próprio estilo, uns saltavam com impulso, outros inclinando a cabeça, inclusive alguns saltavam com o cavalo em duas patas. Tudo era questão para que o público, que sempre enchia os shows, escolhesse seu cavaleiro preferido, que quase sempre eram mulheres.

Inicialmente a torre de mergulho, estava situada a 22 metros, uma altura que causava grande temor aos cavalos e inclusive aos cavaleiros. Mais tarde reduziram a altura para 14 metros, para finalmente, e por motivos de segurança, chegar aos respeitados 10 metros.

As filhas de Doc Carver em conjunto com a sua nora, continuaram com o show depois da sua morte. Em 1931, Sonora Webster, contratada pelos Carver através de um anúncio, junto a seu cavalo “Lábios vermelhos”, perdeu o equilíbrio na plataforma e caiu na água com os olhos abertos perdendo a visão para o resto da vida, apesar de que ainda permanecer a saltar durante outros dez anos. Esta história inspirou o filme Wild Hearts Can’t Be Broken (Mergulho em uma paixão) feito pela Disney em 1991.

No início da década de 70, estes shows passaram a receber muitas críticas dos defensores dos direitos dos animais, o que contribuiu para a diminuição da sua popularidade. Nas últimas décadas receberam denúncias como a utilização de choques eléctricos para convencer o cavalo para o seu obrigado mergulho.

O mergulho de cavalos deixou de ser praticado no final de 1978, quando o parque sob a pressão dos grupos defensores dos direitos animais, foi comprado pelo Resorts International.

Este triste espectáculo deve ter sido das coisas mais cruéis que vi fazer com animais…

2 Responses

  1. Kalena Barros
    Mar 26th
  2. plinio
    Out 23rd

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