O dia da espuma no mar da Austrália

O dia da espuma no mar da Austrália

“Foam Day”. O Dia da Espuma. Ficou baptizado com este nome tão específico, um fenómeno natural que costuma ocorrer uma vez entre cada três e cinco anos nas costas australianas, na baía de Lattit, em frente às costas de Lorne, Victoria.

A conjugação de vários factores em simultâneo como ventos fortes, chuva e uma ondulação muito forte, faz cobrir o mar da Austrália de uma densa espuma, produto do movimento dos sedimentos marinhos. Para os banhistas e sobretudo, para os muitos surfistas, esse dia tornou-se numa grande festa, uma ocorrência curiosa que mais parece saída de um filme de Hollywood.

Muitos talvez recordem a sua infância, quando chapinhavam na água da banheira e faziam surgir espuma para brincar. Mas os anos passam e com eles, aparece uma certa fobia racional de aproximar-nos da espuma. Com efeito, muitos psicólogos dizem que um dos actos que melhor nos consciencializam para cuidar do planeta é ver as águas do mar cobertas de espuma porque automaticamente o relacionamos com a contaminação.

Longe da confusão gerada pelo fenómeno, podemos ver até que ponto a mão da natureza teve intervenção no dito fenómeno espumoso. Muitos dirão que de natural não tem nada, pois ao fim de contas trata-se de contaminação e esta, infelizmente, é um produto quase sempre de origem humana. Outros dirão que de saudável, ainda terá menos e que será melhor estudar os seus efeitos tóxicos para a saúde, que pode ter um banho numa espuma formada por sedimentos e restos orgânicos.

Seja como for, o que ninguém poderá negar é a curiosidade de um fenómeno assim, nem os estranhos motivos que se conjugam para que algo assim suceda.

Mas como se forma realmente a espuma do mar? Quais os elementos envolvidos?

A espuma do mar está sempre relacionada com a agitação das águas. Tenta agitar uma garrafa com água mineral. Vais ver que se formam bolhas ou uma ligeira (ligeiríssima) camada que se dissolve rapidamente. Isto acontece porque não existem impurezas na água, ao contrário do que acontece no mar. Quanto mais pura a água for, menos espuma ou bolhas se irão formar.

A espuma, efectivamente, forma-se porque há na água demasiados sais orgânicos (por isso o mar “cria” mais espuma, por ter grandes quantidades de sal), ou então substancias tensoativas, entendidas estas como moléculas que formam bolhas pela sua exposição hidrofilica. As bolhas são como que “bombas” de ar envoltas por uma membrana de espessura diferente. Para que se formem estas membranas captoras de ar deve haver uma determinada carga eléctrica, para que em ambos os lados da membrana a carga eléctrica seja idêntica e por isso se repelem.

Quando são muitas, estas bolhas unem-se e formam essa camada de espuma que todos podemos ver.

Depois, sabendo que a espuma é formada por bolhas e as bolhas são formadas por impurezas, podemos dizer que quanto maior for a contaminação e a concentração de sais orgânicos, maiores serão as probabilidades de formação de espuma, sempre que haja condições adequadas.

É o movimento rápido dos fundos marinhos o que faz agitar o sal marinha e os sedimentos. Com efeito, a decomposição dos materiais orgânicos ao contactar com a água produz substâncias que são tensoativas.

Quais são as condições que produzem a formação de bolhas? Tal como no exemplo da garrafa agitada, o que é necessário é que a água do mar se mova rapidamente. Quanto maior a rapidez, maior mistura activa se irá formar. As chuvas, o vento forte e as ondas de fundo são os principais elementos que activam o fenómeno. A concentração salina e os contaminantes são os factores determinantes.

Na parte que me toca, prefiro ver espuma dentro de um copo de cerveja fresco, porque no mar, quanto mais transparente, melhor.

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