Haggis

Comida estranha, curiosa, desagradável e perigosa

Comer é um prazer, ou pelo menos deveria sê-lo, mas nos casos que hoje apresentamos será o contrário, a menos que estejam familiarizados com estes pratos ou que tenham tanta fome que comam qualquer coisa. Brincadeiras à parte, a gastronomia de muitos locais pode abarcar pratos estranhos, mas não nos esqueçamos de que em períodos de fome ou escassez, apenas se pensa na sobrevivência. Um exemplo disso são as tripas à moda do Porto. A lenda conta que o Infante D. Henrique, precisando de abastecer as naus para a tomada de Ceuta na expedição militar comandada pelo Rei D. João I em 1415, pediu aos habitantes da cidade do Porto todo o género de alimentos. Todas as carnes que a cidade tinha foram limpas, salgadas e acamadas nas embarcações, ficando a população sacrificada unicamente com as miudezas para confeccionar, incluindo as tripas. Foi com elas que os portuenses tiveram de inventar alternativas alimentares, surgindo assim o prato “Tripas à moda do Porto”, que acabaria por se perpetuar até aos nossos dias e tornar-se, ele próprio, um dos elementos gastronómicos mais característicos da cidade. De tal forma que, com ele, nascia também a alcunha “tripeiros”, como ficaram a ser conhecidos os portuenses desde então.

Hoje em dia, algumas receitas já são uma tradição, embora pessoalmente não me aproximasse de alguns pratos (já vão ver porquê).

Até ocorrerem os primeiros casos de “vacas loucas”, na cidade de Saint Louis (Missouri-EUA), era moda a “sanduiche de miolos (cérebro) “, que actualmente é mais difícil de encontrar principalmente devido à sensibilidade em relação à doença (não em relação ao seu aspecto). Os miolos não têm um sabor muito prenunciado, sendo necessário serem acompanhados por temperos fortes.

HaggisUma das delícias mais famosas da gastronomia escocesa é o Haggis, nada mais, nada menos do que miudezas de cordeiro ou ovelha (por vezes também de veado) envolvidos pelo estomago do animal, acompanhados com verduras e condimentos. Tudo é fervido antes de chegar à mesa, sendo acompanhado com puré de batata e rábanos. Outro dos pratos especiais deste “ranking apetitoso” são os testículos de búfalo fritos, que são servidos com molho cocktail (como é feito com o marisco, especialmente camarões).

O peixe japonês conhecido por Fugu é altamente tóxico, pelo que para ser consumido sem perigo deve ser preparado por um chef especializado neste prato, havendo mesmo assim ainda o risco de que parte do veneno (presente no fígado e nos ovários) tenha ficado na carne. Felizmente, apenas os chefs com uma licença especial podem fazer estes pratos e vender ao público.

Estas são alguns dos pratos mais conhecidos, que apesar de serem muito “especiais”, ainda assim não são tão estranhos como os que vamos conhecer a seguir. Se tiver um estômago delicado, talvez queira deixar a leitura deste artigo por aqui.

Muitas pessoas consideram o queijo azul como algo desagradável, já que é possível apreciar a vista desarmada a presença de fungos. O Casu Marzu é um queijo típico da Sardenha onde são introduzidas larvas de mosca para a sua fermentação e para lhe dar esse sabor tão “peculiar” que deve ter (não penso alguma vez confirmar o sabor). As larvas têm a capacidade para saltar aproximadamente 15 cm, sendo por isso aconselhável a protecção dos olhos quando se comer este queijo.

O Balut, típico de Vietname, é um ovo de galinha ou pato que tem no interior um embrião em formação, e que é cozinhado antes de ser servido. São-lhe atribuídas diversas propriedades, como ser uma importante fonte de proteínas ou mesmo ser comercializado como tonificante, costumando ser acompanhado por uma bebida alcoólica (suponho que seja para se conseguir suportar a experiencia).

Por último, mas não menos desagradável à vista, temos uma especialidade coreana chamada Sannakji, que consiste basicamente num polvo pequeno cortado ainda vivo, e que ainda se retorce no prato. É perigoso de comer porque está ainda vivo (ou pelo menos parte) e as suas ventosas podem agarrar-se à garganta, provocando asfixia.

Não sei quanto a si, mas eu já estou a ficar com fome…

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